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| Da BBS para o serviço de e-mail da era
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Mandic abriu um negócio em 1990 onde
o capital era um micro 286, uma linha telefônica e ele
próprio. Do começo, no quarto de casa, à
venda em 1997, a MANDIC virou case em Harvard e agora abre novamente
suas portas com outra idéia inovadora:
Oferecer serviço de e-mail diferenciado para aqueles
que precisam do e-mail para trabalhar.
"Não sabendo que era impossível, eu fui lá
e fiz". Sempre digo que tudo é possível.
Quando ganhei minha primeira calculadora de bolso Cassio, simplezinha
que fazia apenas quatro operações, descobri que
os cálculos me fascinavam e nunca mais deixei de fazer
contas.
Até a chegada do meu primeiro micro AT, hoje peça
de museu, passaram-se algumas décadas.
Trabalhei 17 anos chefiando um departamento de eletrônica
na Siemens, meu único trabalho com carteira assinada.
Em 1989, durante um processo de instalação de
sistemas numa fábrica de automóveis no ABC, na
Grande São Paulo, vislumbrei a possibilidade de criar
um mecanismo onde os usuários pudessem trocar informações
à distância. Vi naquilo a única chance do
meu computador deixar de ser uma ilha e trocar conhecimento
com outras pessoas.
Em outubro de 1990 nascia, com 60 megabytes de capacidade, a
MANDIC BBS. No mesmo ano o Brasil entra na internet, fazendo
sua primeira conexão - ainda em âmbito acadêmico.
Também em 1990, a IBM e a Microsoft tomaram caminhos
separados. A IBM continuou a aprimorar e vender o sistema operacional
OS/2 e a Microsoft apostou todas as cartas no Windows,
transformando-o no primeiro ambiente além do DOS, a vir
pré-instalado na maioria dos PCs.
Percebi, neste momento, a importância de oferecer serviços
de comunicação para o usuário final, pois
o crescimento de PCs seria enorme nesta última década
do século 20.
Em 1992 nos Estados Unidos, por exemplo, o Software Development
Group (Grupo de Desenvolvimento de Software), do National Center
for Supercomputer Applications (NCSA - Centro Nacional de Aplicações
para Supercomputadores) criou o College, um programa que reunia
pesquisadores e experts em rede - todos ambiciosos com as novas
possibilidades da troca de informação remota.
Eu não morava nos Estados Unidos, não tinha feito
curso superior e nem participava de um grupo de pesquisa sobre
o que viria a ser a Internet, mas já queria arrumar um
jeito de trafegar dados pela rede.
Era um mundo em verde e preto, com uma tela de computador apenas
com letras e números. "Parece que faz 30 anos, mas
são só 12 anos". E pensar que nem tínhamos
Internet disponível para o cidadão comum, era
restrita ao mundo acadêmico.
Para viabilizar meu sonho fui procurar a Embratel, que na época
era proprietária de um sistema de tratamento de mensagens,
chamado STM 400. Como não funcionava direito, montei
meu próprio Bulletin Board System - BBS.
Enquanto em 1992, o designer e pesquisador Jean François
Groff convidou Tim Berners Lee, o inventor da World Wide Web
(WWW), para ser o primeiro aluno do projeto InfoDesign, no qual
ambos trabalharam em implementações de arquitetura
e protocolos da versão original da Web, eu mantinha a
MANDIC instalada no quarto de hóspedes da minha casa
- numa jornada de horários malucos, sempre antes das
6h00 ou depois das 18h00, quando chegava da Siemens. Foram três
anos de jornada dupla, sem sábado, domingo ou Natal.
Trabalhava de dia na Siemens e de madrugada na MANDIC.
Gosto de lembrar para os internautas de hoje, que navegar pelo
espaço cibernético a bordo de um computador IBM
PC-286 era uma tarefa para poucos. Usávamos o sistema
operacional MS-DOS e a placa de modem mais veloz do mercado
trafegava 300 bits por segundo. Na época o Pkzip, um
programa compactador de dados, fazia o maior sucesso no BBS,
como também o protocolo de comunicação
Zmodem.
No ano seguinte, 1993, a Intel lança o processador Pentium,
um 586 com outro nome e eu consigo manter pessoalmente 400 usuários;
mas para crescer, precisei alugar, do meu padrasto, o andar
de baixo. Foi a hora de trocar o PC 286 por um servidor 486
conectado a uma rede Novell e estações 386.
Nesta época existiam uns 50 provedores de acesso que
concorriam comigo, por isso resolvi investir no atendimento
ao cliente. Nunca fui um bom programador. O que mais vale, na
minha opinião, é a idéia, o ativo mais
barato que existe.
Sempre digo: se você for fazer uma coisa, exagere, senão
dá errado. Se fizer igual a todo mundo, será ultrapassado
logo.
Minha grande dúvida na época era como eu iria
ganhar dinheiro e cobrar por um serviço que algumas empresas
ofereciam de graça? A resposta veio logo à cabeça,
enquanto eu dormia. Acordei e anotei rápido num bloquinho
que eu deixava ao lado da cabeceira da cama. A justificativa
para cobrar pelo serviço oferecido era a qualidade.
Resolvi que não teria férias, nem sequer um domingo
de folga, pois iria responder e atender pessoalmente o meu cliente.
Deu certo! Fui o único na época a oferecer suporte
24 horas. A propaganda dependia do boca-a-boca, mas eu sempre
arrisquei o pescoço todos os dias para oferecer melhores
serviços ao meu cliente.
O BBS sempre precisou trazer bons resultados para o cliente
e para a empresa. Em 1993, o BBS já me pagava US$ 80
por dia, o que me garantia um salário de cerca de US$
2 mil por mês. Também em 1993, a Microsoft lançou
o Windows NT, uma versão de 32 bits que era um sistema
operacional verdadeiramente auto-suficiente: não precisava
do DOS.
Neste mesmo ano eu deixei a Siemens e passei a me dedicar full
time a MANDIC.
Eu descia às 6 horas da manhã e só voltava
para casa depois das 23 horas. Mantive a empresa caseira até
1995, quando os vizinhos começaram a reclamar das 80
linhas telefônicas instaladas num edifício residencial.
Não pensei muito, abri o jornal e vi um anúncio
de escritório para alugar na Avenida Pedroso de Morais,
em Pinheiros, no mesmo bairro que eu morava. E por ser na cobertura
do prédio facilitava a instalação das linhas
telefônicas. Nem precisei mudar os prefixos.
A Internet nascia com a possibilidade de oferecer ao usuário
a abertura da maior biblioteca do mundo. E a MANDIC não
podia ficar de fora. No ano de 1993, existiam 1,7 milhão
de computadores conectados em todo o planeta. Em 1997, o número
pulou para 20 milhões, de acordo com o guia Computer
Industry Almanac.
Os já famosos sites de busca começaram a se interessar
também pelo ambiente gráfico. Exemplos como o
Yahoo!, AltaVista, WebCrawler, Excite e Lycos começaram
a pesquisar, junto com as Universidades, melhores interfaces
para suas páginas, ao mesmo tempo que começavam
a agregar conteúdo através de parcerias com empresas
de mídia.
No ano seguinte, em 1994, começava o uso comercial da
rede, com sites dedicados à venda de livros, CDs e até
mesmo flores. Neste mesmo ano contratei o jovem programador
Ricardo Ikeda, recém saído da Escola Politécnica
da USP, para transformar todo o sistema da BBS em Internet.
Queria que meu usuário pudesse trocar de plataforma automaticamente
e com isso saí novamente na frente da concorrência.
Fui o primeiro provedor de acesso a oferecer Internet para 10
mil usuários.
Apostei todas as minhas fichas em algo que não existia
e funcionou. Logo crescemos para 20 mil usuários e nesta
hora vivi o momento mais crucial da minha vida. Precisava injetar
dinheiro pesado para crescer, tinha os US$ 100 mil necessários
em caixa, mas não queria abrir mão da minha poupança
pessoal.
Resolvi procurar um investidor. Em setembro de 1996 fechei um
acordo financeiro com o grupo Garantia Participações
- GP.
A trajetória financeira da MANDIC foi a seguinte: no
primeiro ano como MANDIC S/A, em 1992, faturei US$ 3 mil, no
segundo US$ 30 mil; no terceiro, US$ 800 mil; no quarto ano,
US$ 2 milhões; no quinto, US$ 5 milhões e em 1997,
US$ 10 milhões.
Mas, nunca desperdicei ou mesmo gastei o dinheiro do investidor.
Lembro que ao invés de comprar máquinas, optei
pelo leasing. Se alguma coisa desse errado, o leasing garantia
o dinheiro em caixa, bastava devolver os equipamentos.
Quando o UOL ingressou fortemente no mercado, em maio de 1997,
distribuindo kits de acesso para seus 300 mil assinantes, resolvi
fazer igual, mas oferecer um atendimento melhor. Comprei o mesmo
espaço publicitário que o UOL utilizou na Folha
de S. Paulo e publiquei no próprio jornal o anúncio
dos kits de acesso da MANDIC. Foi um tremendo sucesso.
A Internet em 1997 era divertida, mas a dura concorrência
travada com o UOL e o Zaz (futuro Terra), recém capitalizado
pela compra do provedor de acesso Nutec, mais uma vez me fez
dar uma acelerada, como gosto de fazer quando dirijo.
1997 é considerado o ano no qual os capitais de risco
descobrem um novo filão e com ele, dezenas de empresas
abrem seu capital na Nasdaq - Sigla para National Association
of Security Dealers Automated Quotation. Nesta bolsa de valores
independente são negociadas ações de empresas
de tecnologia e de Internet.
Percebi, acompanhando o movimento do mercado mundial e principalmente
o norte-americano que só os grandes sobreviveriam e nesta
hora, terminei meu casamento com o GP e fui para um novo patamar
de valores, onde tive que vender o controle acionário
para O Site.
A história recente todos conhecem: vieram os provedores
de acesso grátis, onde ajudei a criar o iG. A bolha cresceu,
tínhamos em 2000 uma dezena de portais e todos brigando
pela concorrência em massa. UOL, Terra, iG, Globo.com,
BOL, AOL, enfim, todo mundo querendo os milhões de pageviews.
Nesta hora, volto a fazer anotações no meu bloquinho:
mandic:mail, o melhor serviço de e-mail da Internet.
Bom, pago e para pessoas exigentes, que precisam do e-mail para
trabalhar.
Terei um serviço que sempre irá buscar clientes
que precisem do e-mail para trabalhar, que sejam formadores
de opinião e que queiram pagar para ter um serviço
diferenciado.
Vou começar apenas com e-mail, porque simplesmente é
o serviço responsável por 80% do tráfego
na Internet. Em 1996, já existiam 56 milhões de
usuários em todo o mundo. No mesmo ano, 95 bilhões
de mensagens eletrônicas foram enviadas nos Estados Unidos,
em comparação às 83 bilhões de cartas
convencionais postadas nos correios, segundo dados da Computer
Industry Almanac, divulgados em 1998.
Para 2005, segundo os analistas de mercado, teremos em torno
766 milhões de usuários conectados à rede
em todo o planeta e a volta dos pequenos empreendedores, em
nichos especializados, como o que eu mais uma vez estou criando
antes da concorrência.
Nos próximos anos, a rede sofrerá uma adaptação,
sendo mais eficiente no tráfego de informações
remotas como teletransporte de imagens e transferência
de arquivos por meio de chips implantados em humanos - assistiremos
à realização de eventos antes restritos
ao mundo da ficção.
Um dos trunfos da MANDIC será manter a carteira seleta
de 50 mil usuários de e-mail, meta para ser atingida
em 12 meses. Quero gerenciar de perto o nosso crescimento, para
sempre oferecer melhores e inovadores serviços de correio
eletrônico para o cliente que acredita que ter um e-mail
mandic:mail é uma grife, além de ter também
a garantia de excelentes plataformas tecnológicas.
Com o desenvolvimento das novas gerações de celulares
e o desenvolvimento crescente dos dispositivos portáteis
(como Palm, por exemplo) será possível cada vez
mais estar conectado de qualquer lugar do mundo e a qualquer
hora. Investiremos pesado no acesso remoto, pois acredito que
será um diferencial para nossos clientes.
Aleksandar Mandic
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